Cases

Cliente

Unimed Concórdia

Setor

Saúde

Serviços

Design Estratégico

Entenda como a cocriação pode ajudar a gerar consenso e engajamento

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Apresentação

Uma cooperativa médica nos procurou, no final de 2017, para estudar a viabilidade de um hospital a ser construído em uma cidade no interior de Santa Catarina. Eles desejavam não apenas avaliar a viabilidade financeira do hospital, mas principalmente entender, dentre as muitas alternativas de projeto que existiam, qual seria mais adequada às expectativas de médicos, beneficiários do plano e da comunidade como um todo. Como resultados indiretos do hospital, a cooperativa esperava melhorar a qualidade de seus serviços próprios, aumentar a carteira de beneficiários, além de melhorar as condições de trabalho para os médicos cooperados.

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Sobre a cooperativa médica

Localizada no interior de Santa Catarina, a cooperativa comercializa planos de saúde, atividade que era seu foco exclusivo até 2012 quando, a partir de demanda dos cooperados e dos beneficiários, foi criado um serviço próprio de laboratório de análises clínicas e diagnóstico por imagem.

Os serviços próprios são prestados em um ponto comercial da cooperativa, que está localizado no centro da cidade, próximo de outros empreendimentos médicos e do principal hospital da região.

A estratégia de crescimento da cooperativa baseia-se no aumento da oferta de serviços próprios, demandada por médicos cooperados e por beneficiários do plano, especialmente pela oferta limitada de serviços hospitalares na região.

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Sobre a decisão de se fazer um Hospital

Para planejar o investimento em um hospital próprio com maior segurança e assertividade, antes de estudar a viabilidade, a cooperativa quis entender em maior profundidade o que os cooperados, os beneficiários, os potenciais beneficiários e os colaboradores esperavam dos serviços próprios da cooperativa.

A decisão pela construção do hospital vinha evoluindo desde 2008, quando foi realizado um planejamento dos serviços próprios. A partir dessa data, foram realizados alguns estudos preliminares que tiveram que ser repensados por diversos motivos, um deles em virtude da alteração do plano diretor da cidade; entre outras questões de caráter mercadológico, especialmente relacionados à oferta atual de serviços de saúde na região. Todos os fatores analisados evidenciavam que se tratava de uma tomada de decisão complexa.

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Objetivos iniciais do estudo de mercado

O trabalho da DparaE inicialmente objetivou entender os usuários e desenhar os serviços que seriam oferecidos pelo novo hospital para orientar os estudos de viabilidade técnica e financeira, além de gerar requisitos para o projeto técnico.

O escopo inicial consistiu de:

1. Entrevistas com cooperados, beneficiários, potenciais clientes, colaboradores e comunidade;

2. Coleta e análise de dados secundários sobre o mercado;

3. Cocriação de personas e jornadas, geração de requisitos para o projeto, prototipagem rápida dos serviços.

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Do estudo de mercado para a moderação da decisão dos cooperados

Após a realização das entrevistas presenciais nas primeiras semanas do mês de dezembro, foi possível perceber uma polarização no grupo de médicos, que manifestava opiniões bastante fortes e, aparentemente, fechadas em relação a verticalização da cooperativa — a grande maioria demonstrou ter muita certeza e convicção sobre suas opiniões.

Contudo, a maioria tinha uma argumentação parecida, com visão similar sobre o contexto da cooperativa e dos serviços da saúde suplementar na cidade. Ocorreu que essa similaridade não era percebida pelo grupo — cada médico relatava se sentir isolado em sua percepção.

Apesar das posições contundentes, a DparaE defendeu que havia espaço para o diálogo e para a compreensão de novas informações e dados que até estão não estavam claros e disponíveis, para que fosse possível gerar um consenso mais fundamentado entre os cooperados.

Neste contexto, foi alinhado com a gerência e diretoria da cooperativa um novo escopo de trabalho para buscar o consenso entre os cooperados antes de evoluir para o estudo de personas e jornadas e para a concepção de projeto.

Foi então proposto que a moderação da tomada de decisão fosse realizada por meio de workshops de discussão do cenário decisório, dos objetivos da cooperativa e da criação de personas e jornadas para definição dos requisitos de projetos do novo hospital.

Dado esse contexto, apresentaremos a seguir o entendimento do problema, as ações adotadas e, ao final, os resultados obtidos.

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Problema

Após as entrevistas com os cooperados, colaboradores e usuários do plano, ficou claro que o problema em torno das definições do novo hospital podia ser definido nos seguintes termos:

  • Dúvidas sobre como deveria ser o novo hospital;
  • Divergências entre cooperados;
  • Ambiente inseguro para tomada de decisão da diretoria;
  • Risco de não adesão dos médicos quando o hospital fosse construído.

Os cooperados discordavam quanto ao tipo e local do empreendimento, com posições antagônicas e divergentes, o que gerava insegurança à diretoria para consolidar uma tomada de decisão a respeito dos serviços próprios:

Se a diretoria se decidisse por qualquer das alternativas disponíveis, ela corria o risco de dividir o grupo de cooperados, o que representava uma significativa ameaça ao sucesso do futuro hospital e da própria cooperativa.

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O sucesso do novo hospital depende da adesão dos médicos ao projeto

A medida em que as entrevistas foram sendo realizadas, ficou claro que o sucesso do hospital dependeria em grande parte da adesão dos cooperados ao projeto, pois a demanda de uma unidade hospitalar depende da sua indicação e utilização pelos médicos.

Entendendo esse elemento como o principal fator crítico de sucesso de qualquer decisão que viesse a ser tomada a respeito dos serviços próprios e do novo hospital, a diretoria se dispôs a dividir a decisão estratégica com o grupo de cooperados, para, com isso, gerar cooperação e engajamento de todos com relação ao projeto de investimento da cooperativa.

“O destino da cooperativa será o que o cooperado decidir” — foi a expressão usada pelo presidente na abertura do primeiro workshop."

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Ação

Para que a decisão do hospital pudesse ser feita de maneira compartilhada e colaborativa, foram utilizadas ferramentas do Design de Serviço, que acreditamos serem adequadas para apoiar o processo de tomada de decisão (saiba mais aqui).

O trabalho de apoio à tomada de decisão estratégica da cooperativa ocorreu em duas fases: 1. Entender, e 2. Imaginar.

A fase de entendimento consistiu de entrevistas com partes interessadas e usuários, e de pesquisas em dados secundários a respeito da demanda e do contexto dos serviços de saúde local.

Foram realizadas 63 entrevistas em profundidade com médicos, beneficiários do plano, potenciais beneficiários e colaboradores; e foram pesquisados dados secundários a respeito do potencial de demanda de serviços de saúde na cidade, da concorrência, da própria cooperativa e demográficos.

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Escopo da Fase 1 - Entender

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Na fase imaginar foram realizados dois workshops para consenso das decisões-chave a respeito do hospital e para cocriação das personas e jornadas que utilizariam o futuro serviço.

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1º workshop da Fase 2 –Imaginar

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A pauta deste primeiro workshop foi:

  • Discussão e compreensão do cenário de tomada de decisão;
  • Definição de objetivos da cooperativa com os serviços próprios;
  • Definição das características básicas do serviço hospitalar;
  • Discussão sobre plano de implantação.

Estiveram presentes 42 médicos diretores e cooperados, e 5 colaboradores com cargos de gerência e coordenação.

Os colaboradores foram convidados a participar do processo para contribuírem com sua visão acerca das operações da cooperativa, e também para garantir alinhamento no momento da execução da decisão.

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2º workshop da Fase 2 — Imaginar.

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As discussões do segundo workshop foram:

  • Criação de personas (médicos e pacientes) que utilizariam o hospital;
  • Estudo das jornadas dessas personas no novo serviço.
  • Desdobramento de requisitos do projeto técnico do novo hospital.

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Neste segundo momento, participaram 11 médicos e 13 colaboradores. A dinâmica foi realizada com um grupo reduzido para que as discussões pudessem ser mais ricas, o que envolvia ter um grupo multidisciplinar e com um menor número de participantes.

A cocriação de personas médicos e personas pacientes permitiu que os participantes exercitassem a empatia e pudessem se colocar no lugar, tanto de quem recebe, como de quem presta o serviço. Já a cocriação de jornadas, possibilitou que fossem gerados requisitos para os estudos dos serviços próprios, requisitos para que o serviço pudesse atender melhor as expectativas de pacientes e médicos, além de gerar uma melhor experiência para esses dois públicos.

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Registros do 1º workshop.

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Resultados

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Criação de personas no 2º workshop

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O primeiro e mais tangível dos resultados deste trabalho foi a definição em torno do projeto do novo hospital. Os resultados alcançados servirão de base para o desenvolvimento de estudos arquitetônicos baseados nas jornadas dos usuários, e para análise de viabilidade financeira, a partir da definição de investimentos e projeções de receitas e despesas de uma nova estrutura de serviços próprios.

Observou-se, com as ações empenhadas, uma sensível melhora do alinhamento dos médicos quanto ao projeto futuro do hospital da cooperativa. Duas evidências sustentam essa hipótese: 1. os médicos e participantes dos workshops manifestaram ampla satisfação com o trabalho realizado — apesar de a pauta proposta ser sensível e emocional a muitos participantes; e 2. o comparativo entre opiniões antes e depois do workshop sustenta que muitos médicos mudaram de opinião ao longo do processo, para alcance de um local comum, alternativo às posições mais radicais percebidas no início dos trabalhos.

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Criação de jornadas no 2º workshop

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Com relação à satisfação dos participantes, entre os dois workshops, 89% dos participantes avaliaram o trabalho como “bom” ou “muito bom”.Quanto à evolução da posição dos médicos. Após o workshop, ambos os consensos, quanto ao tipo de hospital e quanto ao local, foram claros: 76% concordaram com uma das alternativas de projeto dentre todas as apresentadas.

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As definições em torno do projeto puderam ser discutidas entre os cooperados e assim foi possível obter um entendimento comum do problema e da solução gerada

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Considerações finais e lições aprendidas

O principal desafio deste projeto foi alcançar o consenso entre os cooperados com relação ao futuro do novo hospital, independente de qual futuro fosse escolhido. Ficou claro, desde as primeiras entrevistas, que qualquer que fosse a decisão, se houvesse acordo entre o corpo de cooperados, as chances de sucesso do negócio seriam significativamente maiores.

As melhores práticas de negociação propõem que, em detrimento das posições iniciais polarizadas, o consenso objetive construir uma terceira posição a partir de uma “folha em branco”, que se consolide da cocriação, da compreensão e da acomodação das necessidades de cada parte interessada.

As principais dores das diferentes posições foram assim apaziguadas. A maioria dos cooperados concorda com a visão de longo prazo estabelecida, assim como a maioria também concorda com as estratégias traçadas para mitigação dos riscos inerentes a implantação do novo hospital.

Por fim, ficou evidente que a abordagem do design se mostrou bastante eficiente para facilitar a negociação da decisão dos médicos em torno da estratégia de investimento da cooperativa, lição esta que pode ser valiosa para outras empresas que estejam buscando uma maior harmonia e sinergia entre cooperados (sejam eles de uma cooperativa médica, ou de qualquer outro tipo), para, com isso, tornar os cooperados, colaboradores e clientes ainda mais significativos.

Quer aplicar uma ferramenta no seu time? Conheça aqui o Canvas da Tomada de Decisão.

Gostou? Conheça mais sobre a DparaE, clique aqui.

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Autores

Vini de Castro

Claudia Grandi

Renata Hinnig

Dr. Marcelo Fabiano Pinto Rodrigues

Dr. Gilmar Antônio Tolotti

Deise Cristina Tessmann Spricigo

Marluci da Silva Perozin

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Agradecimento

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Entrega do relatório final.

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Agradecemos à equipe da IDEIN Arquitetura pelo apoio técnico dado ao longo do projeto.

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